
Vicky era uma garota especial, pois sempre soube se colocar no lugar dos outros para entende-los, talvez uma maldição para alguns, mas ela não se importava de não existir...
Mas agora é diferente, ela é o cupido do seu próprio príncipe.
Então numa noite dessas de chuva, sozinha em casa longe do próprio juízo, decidiu fazer uma loucura para poder mostrar que ela um dia também vai acabar.
Então com uma faca em seus pulsos, tremendo mais que qualquer outro pudesse tremer, fez uma linha incrivelmente reta, e a cada centímetro de corte, sentia com a dor uma certa alegria porque “aquilo” poderia salvá-la, então começou a sentir seu próprio sangue escorrendo por entre seus dedos, e uma tontura lhe veio embaçando-lhe as vistas, então apenas se sentou desgastada e esperançosa.
Se soubesse que ele não viria, e mais ainda, que ninguém a salvaria talvez não tivesse ido tão longe...
Então sentiu uma presença estranha e fria, se deparando com um rosto lindo e curioso.
- Oi! – disse sorrindo. – eu sou a morte.
Vicky não acreditou, pois, sempre achara que a morte fosse horrível, mas aquele sorriso tão branco e chamativo, os cabelos tão pretos quanto imaginou os da branca de neve, e um rosto tão perfeito e apaixonante não poderia ser da Morte. Sentiu até vergonha pois podia se ver deteriorada no reflexo dos olhos negros daquele cara estranho
- Então, ninguém veio? – perguntou com um certo sarcasmo.
- Sabe? Você teve tanta fé nisso que comoveu até a mim, não costumo fazer isso mas...
- Mas...? – continuou com o sarcasmo em suas falas
- Mas eu vou te dar outra chance...
- Chance pra que se isso nem é real? E se fosse não adiantou em nada, sou apenas outra idiota que merece mesmo morrer. Então, se você for real, me leve!
- Não! – falando como um pai que está punindo seu filho - Porque ninguém merece morrer sem descobrir tudo que lhe é permitido saber, e viver todo tempo que lhe foi dado, você pode fazer tudo o que lhe foi proposto...
Segurando em seus pulsos a levantou e com um beijo a fez acordar. Então Vicky, se deparando com o momento em que iria se cortar, viu um bilhete em sua frente. Deixando cair a faca foi correndo conferir o que tava escrito, assustou-se ao ler apenas:
OU APENAS VIVA!
Por: Victor Magalhães