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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Constante batalha


- Eu queria te contar uma coisa, Murilo. – Disse eu com um sorriso malicioso.
- O que é Marcos?
- Eu transei com a Maria Eduarda. – Respondi com naturalidade.
Murilo parou o carro rapidamente, sem se quer perceber que estava furando o sinal.
- Isso é brincadeira, não é? – Disse ele com os olhos marejados.
- Não – Respondi com frieza.
Esse foi o nosso último diálogo. Depois disso, foi tudo socos, lágrimas, gritos...
- Nós iríamos nos casar no final do ano, seu vaga...
Tudo que me lembro foi de sua fala sendo interrompida por uma luz seguida de um baque.
Acordei com uma tremenda dor na cabeça e na perna. Minha mãe, ao ver que eu havia acordado, veio dizer-me que deveriam ter de amputar a minha perna... Mas as minhas lágrimas se deveram ao fato de que, por uma culta unicamente minha, a vida do meu irmão havia chegado ao fim. Uma culpa unicamente minha.
Como fui arrogante! Todos somos iguais, todos cometemos erros. Nossa arrogância nos cega a ponto de não ter mais volta. Como fui tolo de me deixar levar pelo ódio, pelo ciúme... Mas agora lamentar não adianta, perdi uma parte de mim, nunca mais o verei. Nunca mais.
Maria Eduarda, é claro, superou muito bem. Nunca o amor verdadeiramente. Talvez você até pense que eu também nunca o fiz, mas sim. Sempre o amei como uma parte de mim, mas minha arrogância me cegava. Mas que isso, me impedia de entender a complexidade do amor. Até esse dia em que tomei um “tapa na cada da vida”, que me derrubou, abriu meus olhos e... Me feriu!
A dor... Uma palavra tão pequena... Um peso tão grande...
Não é segredo que ela nos faz amadurecer. Na verdade, eu precisava disso. Precisava entender que todos somos miseravelmente iguais, que todos estamos sujeitos à morte... Que somos mais que sangue e intelecto e que cada um de nós é belo por si só, e principalmente que não é pedestais.
Mas mais que tudo, aprendi que é preciso humildade para aceitar as quedas. Que as pedras das nossas caminhadas, são necessárias para que caminhemos melhor. Que a vida é uma constante batalha que não permite desistências. Ela exige soldados fortes, que tenham fé, e que saibam sim, cair, mas fazer de cada queda um aprendizado para levantar-se melhor, disposta a seguir em frente e lutar constantemente nesse nosso eterno combate.

Por: Vinícius Costa e Letícia Rosa

Um comentário:

  1. Me fez parar e refletir.
    Uma linda e marcante história.
    Beijos!

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